Ao menos ainda existe algo concreto. Algo físico aquém de seus próprios ferimentos. Ainda havia o suporte de copos. Roubaram aquela noite no bar. Ele usava um terno, tão lindo, tão perfeito. Ela usava a blusinha roxa que tanto gostava e as botas de salto fino. Ele a ajudara a caminhar pelas ruas disformes, rira com ela dos passos incertos. Beberam juntos. Riram juntos. Fizeram planos!
Tinham feito, realmente, planos!
E não só naquela noite, em tantas outras... combinaram de ir a München participar da OktoberFest, combinaram festas, finais de semanas que nunca aconteceram, casamentos, filhos. Sempre quisera dar um filho a ele. Vira o cuidado que ele tinha com as crianças, vira os olhos brilharem ao falar de filhos... combinaram de ir juntos na formatura dela...
Preparara os pais para o encontro.
Terminaram uma semana depois.
E agora o que restara? Uma rima perdida, uma flor morta, a bolacha do chopp, um vendaval disperso, a lembrança do riso. Aquele riso! Quando ele ria a fazia despertar de todos os seus delírios, de todas suas depressões. O riso que interrompeu o beijo, cortou a fala. O riso. Ele devia desconhecer tal poder.
Há tempos não o via rir como naqueles dias. Sob o sereno, a uma da manha no terraço do prédio, enquanto tentava ensina-la a dançar forró. Na noite enquanto assistiam filme, exaustos depois do sexo. Ao vê-la chegar ao pé da escada e fechar a porta atrás de si um segundo antes de se jogar em seus braços. Quando ela tocava a campainha da sua casa afim de passar apenas uma hora com ele. Quando queria faze-la rir.
E aquele bar!
A noite mais perfeita, o sorriso mais puro, as juras mais sinceras.
- Acredite quando eu digo que te amo.
Ou então, Always... and I will love you baby, always!
E ainda havia o acidente…
A foto…
O thank you for loving me…
Os CDs...
Os filmes...
As musicas...
Pior que tudo; a saudade.
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