20 de jan. de 2009

Os gritos do silêncio

A lembrança de tudo aquilo a machucava por dentro. Fazia-a desejar morrer lentamente. Estava, definitivamente, morrendo lentamente. Agozinava. Definhava sob a claridade cinzenta do dia.

E aquela dor. Aquela dor tao grande que gritava com ela todas as noites. Cada dia era pior, mais forte. O grito agonizava com ela, retorcia-se, horrizando a si e a ela. Aquelas imagens, aqueles gritos, aquela voz, o silencio.

O pior de tudo ainda era o silencio. aquela ausencia de voz que a obrigava a preencher o vazio com as futilidades debatidas na televisão ou com algum grito musicado, tao horrendo quanto a sua dor. Aquelas vozes mecanicas!

Não suportava mais o proprio timbre. Era impossivel encarar o reflexo que via no espelho. Quem estava ali? Uma vadia qualquer? Uma puta?

Entao não tivesse feito apaixonar!

Ela sofrera tanto por ele... por quem queria apenas sexo gratis, diversão. Sofrera por quem não merecia, logo, não era digna que sofressem por ela.

Ninguem choraria quando ela parasse de respirar.

Ninguem clamaria seu nome quando estivesse ardendo em chamas, delirando de febre.

Ninguem sentiria falta de vê-la caminhar com suas roupas goticas em meio a multidão.

Quem sentiria sua falta?

Putas existem em qualquer esquina. Ela era apenas mais uma vadia gostosa. Apenas mais uma mulher de micro-saia andando pela rua.

Afinal, ninguem pode se apaixonar por uma mulher presa aquelas curtas horas felizes.

Ninguem é capaz de amar uma mulher que sorri apenas na hora do sexo.

Ninguem, absolutamente ninguem poderia amar uma mulher morta por dentro.

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